Projeto Grandes Artistas: Marcelo Jeneci



O espaço Revista Cult é um daqueles lugares encantadores. Paredes branquinhas. Almofadas no chão. Livros. Música ambiente tocada por uma vitrola e discos de vinil. Algumas plantas enfeitando a área externa que acompanham as mesas para tomar um cafezinho. Gente bonita com ar intelectual. Frase filosófica estampada na parede. Tudo organizado, uma sintonia Cult.
E neste clima convidativo estávamos esperando Marcelo Jeneci. O evento estava marcado para as 20h. Alguns minutos antes o artista chegou. Marcus Preto entrevistador, crítico musical e jornalista da Folha de S.Paulo, iniciou o evento. Começara a 5° edição do Projeto Grandes Artistas da Revista Cult.
Começo descrevendo Marcus Preto. Postura de comunicador, inquieto e atento a cada resposta recebida. Algumas vezes debruçava-se sobre a mesa, virava um pouco a cadeira dando as costas para os participantes para tentar absorver cada detalhe que pudesse saciar o seu ofício jornalístico. Conduziu maravilhosamente bem a entrevista com um toque de humor e perguntas curiosas que dessem para encher o paladar sedento dos fãs do artista.
Marcelo Jeneci, nascido em São Paulo, em abril de 1982, nos prestigiou com um bate-papo agradabilíssimo. A forma de falar, de se expressar, de explicar como tudo começou e mostrar seu lado humano fazia com que nos sentíssemos em casa, deitados no sofá e comendo salgadinho ao lado de um grande amigo.
Tudo começou com seu pai, Sr Manuel, o ‘verdadeiro Jeneci’. Sr Manuel tinha uma loja que consertava instrumentos e o Marcelo, para entreter os clientes na sala de espera, tocava algumas músicas brincando com os artistas que geralmente frequentavam a sua casa. Daí surgiu o convite, o início de uma grande carreira que já dura uma década.
Entre outros assuntos, Marcelo Jeneci falou sobre alguns de seus clipes, o início de sua carreira como compositor, os grandes parceiros e guias que acumulou ao longo de sua carreira, as suas referências de vida, a maturidade, o sucesso, o vazio e muitos outros temas que marcaram seu caminho e o fizeram ser multi-instrumentista, compositor e cantor acompanhado por alguns dos principais nomes da música popular brasileira, como por exemplo, Arnaldo Antunes, Vanessa da Mata, Zé Miguel, Erasmo Carlos e muitos outros.

Clipes: Felicidade e Pra Sonhar
Marcelo Jeneci conta que se envolveu muito mais com o clipe da música Felicidade por ter sido gravado na cidade dos avós, no agreste Pernambucano. Neste trabalho a memória da infância e a lembrança de seus familiares revigorou no artista o sentimento da vida como ela é. Marcelo explica que sua dedicação está em cada detalhe deste trabalho. O trecho da música a seguir exemplifica com grande maestria todo este sentimento: ‘Você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser’. Lembrando que a música fez parte da trilha sonora da novela global ‘Aquele Beijo’, em 2011.
Pra Sonhar foi um clipe feito por casais homenageando o artista. A música foi tão bem aceita que as pessoas que a ouviam enviavam trechos dos seus próprios casamentos tendo a música como trilha sonora e, também, os fragmentos da letra da música estavam transcritos nos convites de casamento. Desta forma, junto com a produtora Recheio, foi criado um clipe com retalhos enviados pelos fãs. Luciana, fã do artista descreveu sua sensação ao ver o clipe ‘Tudo casa. A letra, a vontade de tudo acontecer realmente. Adorei!’.

Começo como compositor
Marcelo Jeneci confessa que o início de sua carreira foi ‘no empurrão’. Desde muito cedo já sabia tocar alguns instrumentos e foi através de um convite de Chico César que tudo começou. Frequentador da oficina de seu pai, Chico César, após Mama África, precisava de alguém que tocasse piano e sanfona. Apesar de Marcelo ainda não conduzir muito bem a sanfona, colheu algumas dicas e se empenhou profundamente neste projeto.
Marcelo conta que decidiu viver de música e deixar um pouco o seu lado instrumentista, mas não sabia como. Achava que o máximo que conseguiria era tocar piano nas praças de alimentação dos shoppings.
Conversou com algumas pessoas que o encorajaram e mostraram exatamente onde deveria ir, dentre essas pessoas estavam Arnaldo Antunes, Vanessa da Mata, Chico César.
O sentimento incentivador de Marcelo era ouvir sua música na voz dos artistas. Fazer boa música, trazer um componente de sedução poderosa de alcance popular e deixar suas composições migrar pelas vozes dos grandes cantores, como aconteceu com a música Amado, grande sucesso da cantora Vanessa da Mata.
Quando questionado sobre qual o impacto que teve esta composição na sua carreira, Marcelo explica que não ganhou tanto dinheiro com a música Amado, porém foi uma referência para as pessoas saberem qual era o seu trabalho. Era um ponto de partida onde poderia conversar com os amigos tanto em uma mesa de bar quanto em um release de imprensa.
Amado clareou sua busca de viver de música. E neste momento, Marcelo Jeneci conseguia enxergar, o que até então, era somente intuição. Acreditou, ‘é possível!’.

Referências
Confirmando o lado familiar do artista, duas pessoas ocupam sua  lista de referências: sua mãe Glória, paulista e evangélica fervorosa, e seu pai Manuel, pernambucano, o ‘verdadeiro Jeneci’.
Marcelo conta que seus pais iniciaram a paquera com as músicas de Roberto Carlos. O Sr Manuel cantava as músicas românticas para a amada, entregando-lhe flores. Nesta trilha sonora cheia de sentimentos e músicas melosas nasceu Marcelo Jeneci.

Primeiro disco comprado
‘Na verdade não me lembro. Apesar de ser músico não era fissurado em música’, confessa Marcelo.
Depois, tentando reavivar a memória, lembrou-se de algumas bandas como Raimundos e Titãs. Também gostava de ouvir pagode como Negritude Junior, Raça Negra, Grupo Katinguelê. Aliás, antes de sua carreira deslanchar, Marcelo Jeneci, compartilha que já fez parte de uma banda de pagode e que tem vontade de gravar a música ‘Recado à minha Amanda’ do Grupo Katinguelê. O cantor até nos prestigiou cantando um pedaço da música ‘Fala prá ela/Que sem ela eu não vivo/Viver sem ela/É o meu pior castigo’.

Fase de adaptação para a vida de famoso
Criado em um ambiente religioso, Marcelo Jeneci estava acostumado com a presença de um guia, alguém que dissesse qual era o caminho correto para seguir, que o orientasse em seus passos.
No universo artístico o primeiro guia de Jeneci foi o músico Swami, seguido por Zé Miguel e depois por Luiz Tatit. O intuito era conhecer o mundo da música de uma maneira mais profissional, um modo mais abrangente e poético, diferente da música popular já conhecida por Jeneci. A vontade que possuía era de conseguir manter essa versatilidade.
Atualmente, o cantor diz não ter mais a necessidade de um guia. ‘Não sou mais café com leite’, brinca o artista. Após fazer 30 anos, a percepção de mundo é completamente diferente e, após o lançamento do primeiro disco sua maturidade está mais rígida.
Foi durante o show ocorrido em Fortaleza, em outubro de 2011, que o sucesso apontou para Marcelo. No evento, algumas fãs choravam com as letras das músicas, pessoas estavam tatuadas, haviam cravado na carne algo que era produto de seu trabalho como compositor. Vendo todo este cenário, Marcelo Jeneci logo percebeu que o sucesso batera em sua porta: ‘Fiquei assustado, percebi que era sério. As coisas estavam acontecendo!’
Aliás, com mais de 140 shows, sua preocupação está na produção do segundo disco e confessa que a exigência com ele mesmo aumentou. O primeiro disco foi tão bem feito e aceito que o grande desafio é superá-lo.

Estilo musical
Melodias tranquilas, letras carregadas de sentimentos e tom de voz que emociona. O objetivo musical de Jeneci é compor e cantar músicas que sirvam para acalmar, canções que duram no tempo e tocam no coração.
Construir grandes canções com a junção de sua vocação popular e instrumentista mais as influências musicais como Roberto Carlos, Paul McCartney, Erasmo Carlos é o resultado de músicas bonitas, leves e duráveis.
E o desabrochar da maturidade esboça uma nova forma de Jeneci. Longe de ser algo como ‘fofo’ ou ‘so cute’, palavras que não cabem no vocabulário do compositor, a mensagem do seu trabalho é conseguir uma sonoridade cativante que perdure no tempo.

Laura Lavieri
Laura possui uma voz pura. Lembra aquela voz do amigo como um recado dado por anjos. Paulistana, é a voz feminina que acompanha o cantor em seus shows. Uma grande amiga e parceira.
A amizade entre o cantor e Laura começou por intermédio do pai dela, o seu amigo Sr Rodrigo Rodrigues. A menina tinha apenas treze anos quando se conheceram. Ela era ainda uma criança quando chamou a atenção do cantor.
Porém, após alguns anos e dado a uma grande fatalidade, o pai da moça faleceu. E Laura, com dezesseis anos, faz uma homenagem ao pai com uma bela canção. Marcelo ouvindo sua voz convidou-a para fazer uma parceria, compor e cantar algumas músicas juntos.
Muito preciosa para o cantor, Laura Lavieri, possui o tom de ’voz perfeito, uma sonoridade que me dá uma satisfação muito grande’, diz Marcelo com muita admiração.

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Foram duas horas de conversa com o artista. Neste bate-papo deu para notar que além de compositor, cantor e instrumentista, Marcelo Jeneci tem um lado humano e simples que contagia.
Com uma maneira particular de se expressar, Marcelo Jeneci combinou as meias e a camiseta, ambas listradas e azuis. Todavia, mais do que a imagem de ser famoso ou querer chamar a atenção dos paparazzi, o desafio do artista é mostrar seu trabalho, ser lembrado como um trabalhador da música, alguém que faz composições bonitas, significativas e serenas.
E por fim, Marcelo Jeneci compartilhou seu pedido a Deus para que o mantenha até quando tiver algo para fazer, desta forma, sempre busca novos desafios. Ansiando superar cada trabalho. Sentindo sua música. Desfrutando cada palavra.


 Clipe Pra Sonhar



Informações sobre o evento:
Espaço Revista Cult. Projeto Grandes Artistas.
Vila Madalena
26 de julho de 2012


Livro: Os Malaquias - Andréa Del Fuego


'Não me sinto escritora, os livros vão acontecendo', diz Andréa Del Fuego.

Desta forma, com uma simplicidade cativante, a escritora vencedora do Prêmio José Saramago 2011 fala sobre seu ofício, um dom. A escrita é uma necessidade na vida de Andréa Del Fuego. A autora nascida em São Paulo, em 1975, conta que inicialmente utilizava deste recurso para fazer chantagem emocional com sua mãe e interagir com a família em Minas Gerais. Assim, ao invés que fazer ligações e perguntar por todos os familiares, que eram muitos, preferia escrever cartas para a família e até mesmo inventava notícias.
O livro 'Os Malaquias' da editora Língua Geral é primeiro romance de Andréa. Na obra, a autora resgata a história de sua família, narrando a memória de seus antepassados de um modo ficcional. O desenrolar da narrativa acontece em Serra Morena, região de Minas Gerais. Uma região que cultua o silêncio dos fatos, transformando as memórias em um mundo obscuro e misterioso. A vontade de escrever surge após a morte de sua avó, a qual a trouxe a vitalidade da escrita, o renascer da palavra.
Utilizando do realismo mágico pessoal e da prosa poética, a intenção da escritora era se distanciar das emoções familiares não ditas. Esta mistura de realidade com ficção faz a autora reavivar a recordação de seus bisavós e familiares. Quando questionado o quanto podemos fazer de ficção dentro da própria história, Andréa diz que tudo é memória, porque até mesmo a invenção está dentro de nós, é parte do que sentimos. Surge, então, ‘Os Malaquias’.
O romance levou sete anos para ser finalizado. Uma das pausas que explica isto é história do Sr Ita. Conta a escritora que o Sr Ita, homem místico, cara do Tim Maia, era o benzedor da família. Andréa foi até o místico buscando saber se tinha autorização para escrever sobre sua família. A resposta surgiu da própria escritora que logo pensou 'a narrativa é da minha família, da minha vida. Sim, posso fazer isto!'. O Sr Ita concordou, porém alertou-a de que havia começado o projeto muito cedo, ainda não estava no momento certo. Assim, Andréa preferiu esperar a maturidade, pensou estar mais preparada quando tivesse uns 50 a 60 anos. A autora confessou que tinha dúvidas quanto a sua capacidade de escrita. Era apaixonada pela ideia de ser escritora, mas dizia 'não sou'. 
Felizmente, a narrativa foi finalizada e com o auxílio do editor Eduardo Coelho o projeto virou algo concreto.  Com isto, a escritora salienta a importância da editoração. Conta que a leitura atenta com um foco profissional e crítico era o que ela procurava, 'alguém que colocasse a ‘mão na massa’ e trabalhasse no livro com seriedade, fazendo as alterações necessárias'.
Abaixo estão algumas perguntas feitas para Andréa Del Fuego e respondidas com muita simpatia, atenção e doçura. Informo que em breve postarei a minha visão sobre a leitura do livro.

Já pensou em tornar ‘Os Malaquias’ em uma minissérie ou algo do tipo?
Andréa – Sim. Já recebi o convite para fazer o roteiro da obra, mas ainda é algo distante.

Neste período da escrita do livro, você foi até o lugar, até a casa em que tudo começou?
Andréa - Sim. Todavia, a região onde a casa foi construída hoje está toda alagada devido à construção da represa de Furnas. E isto é muito inspirador, pois os corpos que ali estavam hoje são partículas de água finalizando na luz de uma lâmpada na casa de alguém.

O que considera mais desafiador escrever: obras para adultos ou infanto-juvenis?
Andréa – Considero os livros para adultos muito mais desafiadores e cansativos. É um jogo de dados ao acaso porque é o tempo em que estou vivendo, é o meu tempo atual de vida com conflitos. Você passa horas exaustivas escrevendo sem saber se terá retorno, sem a segurança de que o livro será aceito pelo público. Já escrever para os jovens é algo muito prazeroso. Eles possuem aquela segurança enorme, aquele jeito de vida de acharem que vão dar conta de tudo e poderem carregar o mundo. Escrever livros infanto-juvenis é como tirar férias da escrita. 

Você tem alguma técnica de escrita? Já sentiu algum vazio em que não tivesse nenhuma ideia sobre o que escrever?
Andréa – Quando escrevia contos, gostava de escutar uma música por diversas vezes. Era como um mantra, uma trilha sonora que me fazia flutuar no ato de escrever. Também, gostava de tomar vinho e ouvir música bem alta e sair escrevendo, mas acho que isto não é uma técnica. Cada um tem a sua. Quanto ao vazio, nunca tive. Sempre olho ao meu redor e parece que tem um narrador falando comigo o tempo todo. O ideal é deixar a escrita fluir, sem pensar na técnica. Derramar os pensamentos no papel, sem perder as pérolas que podem surgir. Escrever e escrever.

Você considera úteis as oficinas de escrita?
Andréa – Sim. É como uma transfusão de coragem. É contagioso encontrar quem transmita o prazer da escrita.

Você consegue viver de literatura?
Andréa – Sim. Após receber o Prêmio José Saramago 2011 a minha renda passou a ser da venda dos livros e direitos autorais, sendo que o livro já está disponível em alguns países, como a Alemanha, Argentina, Israel e Itália.


Livro: Os Malaquias
Autora: Andréa Del Fuego
Editora: Língua Geral Livros Ltda, RJ

Informações sobre o evento:
SESC Vila Mariana
Gravação do programa Sempre Um Papo com Paula Rangel
24 de julho de 2012

Livro: Infâmia - Ana Maria Machado

No dia 10 de julho de 2012 recebi um convite para assistir a gravação do programa Sempre Um Papo no SESC Vila Mariana. Neste dia haveria um encontro com a escritora e presidente da Academia Brasileira de Letras Ana Maria Machado no debate e lançamento do seu livro Infâmia, Editora Alfaguara.
Fiquei muito entusiasmada. Foi um bate papo realmente muito proveitoso e levado com simplicidade aconchegante da escritora e do apresentador Afonso Borges. Após o evento Ana Maria Machado prestigiou seus leitores com as dedicatórias. Desta forma, adquiri meu exemplar do Livro Infâmia. 
Infâmia é uma narrativa que decorre em dois núcleos: a morte da filha do embaixador aposentado Manuel Serafim Soares de Vilhena e a vida do funcionário público Custódio.
A palavra ‘intruso’ é expressa várias vezes no livro, criando até mesmo o leitor intruso. Ana Maria Machado utiliza de um recurso próprio em que o leitor reflexivo, passagem por passagem, acompanha o desenrolar da narrativa fazendo perguntas, entrando no pensamento dos personagens e estando sempre presente, dentro da história.
O livro aborda questões políticas do Brasil em uma faceta de corrupção e mentiras. O desenrolar da história se faz através de falsidades e de pessoas tentando provar as fraudes existentes no setor público, contudo, o bom não vence e o mal continua a encobrir seus atos pelo status que possui.
A mensagem do livro é passada quase como um grito de desespero de alguém que tenta se salvar de uma camisa de força. Um funcionário público triunfa quando consegue denunciar desvios de dinheiro no setor que trabalha e como um trabalhador exemplar e membro da sociedade, sente-se um representante do bem contra o mal. Porém, com a ajuda da imprensa o foco da corrupção é desviado e o próprio denunciador vira o denunciado.
Em outro núcleo do livro, Cecília, filha e esposa de embaixador, é violentamente traída por seu marido. Homem poderoso e influente que aprisiona a moça em um marasmo, efeito de psicotrópicos. A crueldade é encoberta pelo status social. E somente após a análise de alguns fragmentos escritos pela própria vítima, Cecília, é que são desvendados os últimos acontecimentos de sua vida.
O livro é envolvente e nos faz refletir sobre a impotência daqueles que possuem voz, mas não prestígio social. Assim, esta voz é calada covardemente. Com um desfecho realista a escritora mostra que a verdade nem sempre prevalece sobre as calúnias e difamações.

  




Livro: Infâmia
Autor: Ana Maria Machado
Editora: Alfaguara

Informações sobre o Evento:
Gravação do programa Sempre Um Papo com Afonso Borges
SESC Vila Mariana
10 de julho de 2012



Contrate-me.



Escrevo.
Não leio.
Rogo.
Negativo.
Suplico.
Ignoro.
Labuta?
Não temos.
Impossível?
Não o conhecemos.
Sou eu.
Não contratamos.
Por favor!
Em breve...
Tão vago.
... (Silêncio).
Estrondo! Espalhafato! Escandalizo! Escrevo!  
Nada feito.
Perdedor.
Tenho bens.
E eu o dom.

Vermelho


 
Mark Rothko, Untitled (Seagram Mural sketch), 1959 , National Gallery of Art, Gift of The Mark Rothko Foundation, Inc., 1986.43.156 

Vermelho.
O que é o vermelho para você? Uma cor? Sangue? Rosa? Inferno? Bonito? 
Qualquer coisa menos Vermelho! Legal? Legal!
Não, esta resposta jamais poderia ser aceita por Mark Rothko. Legal é muito pouco. Agora tudo se traduz em legal:
- Como você está? Legal!
- Vamos ao cinema comigo? Legal!
- O que você achou da exposição? Legal!

Mark Rothko, pintor autodidata, nasceu em 1903 em Dvinski, na Rússia. Suas obras davam ênfase na cor e na forma. É considerado um dos principais artistas do movimento Expressionismo Abstrato. O artista dava muito valor à filosofia e à arte, sendo Friedrich Nietzsche um dos seus influenciadores no pensamento.
Na peça escrita por John Logan e dirigida por Jorge Takla, Mark Rothko é uma pessoa extremamente preocupada com o sentido da vida, inflexível e rigoroso em seus ideais.
A criação de seu assistente - Ken, interpretado por Bruno Fagundes - faz com que a peça ganhe um sentido especial e para o pintor uma espécie de alter ego muito indagativo que possui uma visão contrária sempre dando opiniões e tentando dar um propósito para as obras modernas, para a cultura de massas - a Pop Art - que Rothko considerava vazias de significação, apenas imagens para suprir aquela nova fase tumultuada de pessoas que não sabiam admirar a arte em si.
Mark Rothko, interpretado por Antonio Fagundes, aceita um valor financeiro muito alto para expor seus quadros em um espaço de um restaurante em Nova York. A peça se desenrola na criação dessas obras: tinta em pó vermelha jogada ao palco, misturas de tintas para alcançar a devida cor, pintura completa do fundo de um quadro, bebidas e uma postura muito particular, inclinada para um dos lados, em que Mark segurava seu cigarro e observava seus projetos.
Porém, o artista vivia em uma crise psicológica intensa pela qual era sugado, e após visitar o restaurante, o pintor desiste da empreitada, pois acreditava que os clientes não dariam a devida atenção às suas obras que considerava uma extensão de sua vida, sendo assim devolve todo o dinheiro adiantado, atualmente este montante equivaleria a dois milhões de dólares.
A peça é muito envolvente e nos leva a filosofar, a pensar na metafísica que sempre acabamos por nos questionar. O espírito  jovial de Ken contrapõe-se as vertentes inflexíveis de Rothko em um ateliê de pintura.  Neste espaço de trabalho não havia a luz do dia, pois incomodava o artista irrefutável e irreversível.
Por fim, Mark Rothko suicidou-se em 25 de fevereiro de 1970 e grande parte de suas obras estão expostas na Galeria Nacional de Washington.

Esta é uma ótima oportunidade para um belo encontro de arte, cultura e educação evocando uma sensibilidade de pensamento um tanto escasso, e conduzindo seus espectadores a "um espetáculo de extrema beleza plástica, cheio de paixão, polêmico, vital. Fica o convite para que sonhem conosco. Vermelho. Bem vindos ao teatro" - Antonio Fagundes.


Onde: Teatro GEO - Rua Coropés, 88 - Pinheiros, São Paulo
Quando: Quinta e Sábado 21h. Sexta: 21h30. Domingo: 18h
Duração: 80 minutos
Classificação Etária: 12 anos

 
Antonio Fagundes (Mark Rothko) e Bruno Fagundes (Ken)


Mark Rothko

On The Road










O Romance de Jack Kerouac, On The Road, tornou-se uma espécie de "Bíblia hippie" escrito em três semanas durante longas e aventurosas viagens pelos EUA em meados de 1950.
Sexo, álcool, drogas, liberdade e aventura marcaram o estilo de vida de escritores e poetas da época. A não conformidade, em um clima pós Segunda Guerra Mundial, irradiou um movimento de vida nômade no qual a criatividade espontânea explodia daquelas cabeças jovens, o desejo era elevar-se ao sublime.
Walter Salles, diretor do filme On The Road, iniciou seu projeto de filmagens em 2006/2007, porém devido a algumas "crises financeiras" o produto final veio ao público em julho de 2012.
A trilha sonora muito agitada e envolvente é o Jazz, estilo musical que pelo menos os dedos do pé não conseguem resistir a umas mexidinhas e, também, o bater frenético da máquina de escrever.
As cenas são representadas por alguns jovens no carro em alta velocidade, uma longa estrada pela frente, escassos recursos financeiros, um livro embaixo do braço e a vontade de deixar a vida se levar. Fazer valer a pena cada segundo. O mundo material e a estabilidade não interessavam nem um pouco aos Beats, o que importava mesmo era o prazer. No filme os personagens topam de tudo, tudo mesmo. E esta aceitação é muito bem representada em atos de sexo com héteros e homossexuais, bebidas baratas e utilização de qualquer tipo de droga.
Porém, mesmo neste esbanjar do gozo sentido em cada passo na estrada a melancolia no viver estava sempre presente. Os jovens de calça jeans extravasavam a libertinagem e depois passavam momentos de reflexão daquela vida vazia, transbordando o desmoronamento banhado em lágrimas, sofrimento e tédio.
O ápice do filme é passado no México quando Sam Riley (no papel de Sal Paradise) compromete seriamente sua saúde após um ato de êxtase total.
Desta forma, é que aquela Geração Beat esperava acabar com a banalidade rotineira e a inadequação social que sentiam percorrer.
A verve poética transcorria nas veias dos escritores, fazendo de cada respirar inspiração para textos, poesias e para o fôlego de ser um Beat.

Elenco: Kristen Stewart, Amy Adams, Viggo Mortensen, Kirsten Dunst, Elisabeth Moss, Steve Buscemi, Garrett Hedlund, Alice Braga, Terrence Howard, Sam Riley.
Gênero: Drama
Duração: 137 min.
Distribuidora: Playarte Pictures
Orçamento: US$ 25 milhões
Estreia: 13 de Julho de 2012

Escritores da Liberdade



Informação: baseado em fatos reais.
Uma motivação: realmente existiu a mudança.
Uma tristeza: divisão do que era para ser um todo.

Como é angustiante pensar em algo que deveria colorir para embelezar nossa humanidade e que acaba nos distanciando, em gangues, grupos rivais.
Certa vez indaguei-me: Quem foi mesmo que inventou o segundo idioma? Como se deu a divisão de povos? Quem descobriu o Brasil não foram os índios? Afinal eles já estavam aqui, não é mesmo?!
E nesta indagação, observei um pouco melhor as pessoas ao meu redor. Todas possuíam o mesmo abraço, lábios para sorrir e todas tinham o mesmo desejo de serem amadas. Mas por desejarem serem amadas não estavam dispostas a amar. O amor encerrou o amor. E o que mal percebiam é que em um simples abraço duas partes se constituem em uma só.
Podem perceber algo? Se nos juntarmos seremos um castelinho de Lego. Todos juntos somos mais úteis, mais belos.
Neste filme vemos uma professora ainda leiga no ato de lecionar juntar as peças e formar um coração. Há certas pessoas que possuem o dom de decorar o mundo e com apenas um toque, sem grandes requintes, conseguem fazer uma sociedade voltada à nossa essência. Fomos criados por amor e vontade.
Não é de se estranhar que nas grandes guerras em que o mundo tristemente presenciou, o seu fim se deu por conta da compaixão. Etnias abrigando seus adversários, dando de comer, dando afago entrelaçados por braços.
Há quem ainda acredite ser o melhor. Contudo analisando seriamente e tendo como convicção que somos feitos da mesma matéria concluímos que apenas somos diferentes ao nosso desfilar. Têm-se aqueles que gostam de contar, os que são excelentes nos deveres de casa, os que capricham nas empresas, existem os que gostem do outono e outros que preferem a primavera. Partes de uma mesma matéria em formatos diferentes e que se ajustados formam o equilíbrio perfeito.
Agora, pegue o seu diário, anote como você é importante, como você é amado. E depois tente traçar um plano solitário. Há algo de errado? Pois é! Não há como ser amado por si só, desta forma o mundo é cinza. Há quem goste do cinza. Porém eu lhes digo: Ele é composto da junção da cor preta com a cor branca.




Informações Técnicas
Título no Brasil:  Escritores da Liberdade
Título Original:  Freedom Writers
País de Origem:  Alemanha / EUA
Gênero:  Drama
Classificação etária: Livre
Tempo de Duração: 122 minutos
Ano de Lançamento:  2007
Site Oficial:  
Estúdio/Distrib.:  Paramount Pictures
Direção:  Richard LaGravenese

Elizabeth - Descrição Objetiva


Elizabeth tem 47 anos de vida, é descendente de pai espanhol e mãe mineira, residente da cidade de São Paulo e registrou uma pequena passagem pelo interior, Votuporanga.
Possui estatura baixa atingindo quase um metro e meio, um pouco rechonchuda.
Dona de pele morena clara que quando exposta ao sol parte para o bronzeado. Seus cabelos cacheados preenchem seu couro cabeludo até cobrir metade do seu pescoço.
Na parte superior de seu rosto notam-se finos fios na sobrancelha, cílios pequenos e olhos castanhos escuro.
Seu rosto é suavemente arredondado com nariz médio de ponta fina, seus lábios são delicados e parecem possuir a mesma espessura entre suas partes.
O vestuário de Elizabeth é composto de calça jeans, blusas que cubram seu ombro e uma pequena parte superior do seu braço, sapatos com salto alto e maquiagem sutil.
Casada, mãe de duas filhas e criadora de alguns animais de estimação. Na parte profissional, atua na propriedade do seu lar, sua especialidade está na arte de cozinhar e, também, tricotar belíssimos cachecóis. 

Rainha Elizabeth - Descrição Subjetiva



Não poderia existir palavra melhor para nomeá-la, Elizabeth, digna do título de realeza.
Sua aparência feminina desperta aconchego, amor acolhedor de mãe e amizade confiável. No enrolar de seus cabelos saltam pétalas de delicadeza, seus olhos possuem o brilho de estrelas observando aqueles a quem protege com grande carinho e sempre está disposta a dar afago.
Esposa atenciosa, mãe que impõe respeito, dedicada às suas atividades do lar.
Cozinha como nenhum cozinheiro já o fez, o sabor dos seus temperos nos eleva aos céus.
É linda e transmite humildade em seu caminhar. Sua vida está repleta de crença em Deus; somente em Deus, não é adepta a nenhuma religião.
Sempre está disposta a conversar um pouquinho mais, dentre uma bebida e outra, ouve com atenção.
Com grande sabedoria de vida, esta mulher é muito inteligente. Inteligência esta que diz respeito ao lidar com pessoas, a servir e abrir mão de coisas que pareçam melhor ao outro.
É sensível e intuitiva, não sabe mentir e se assusta com facilidade às aparições repentinas de suas filhas.
Corta-me o coração quando vejo lágrimas em seus olhos, a vida poderia fazê-la sempre em cores radiantes e nunca pincelar com a cinza.
Difícil encontrar quem não goste de Elizabeth. Essa mulher é corpo, alma e muito coração.

Bom dia



Um feixe de luz,
O raiar do Sol.
Longo bocejar,
Costas esticadas.
Do dedinho descoberto,
A mão começa a gelar.
O frio ameaça incorporar.
Aconchegante, viajar para lençóis.
Amontoar-se na terra dos cobertores e
Desbravar o monte travesseiro.
Cinco minutos a mais não é crime,
É tudo tão perfeito nesta manhã.


Talvez para mamãe não o seja.
Ouço o terceiro grito:
- Menina, o café tá na mesa!
Barriga ronca.
Uáá! Bom dia!

Renascer da Palavra


Palavra chorosa.
Corre por aqui, corre por acolá.
Dou uma volta ao redor do assento,
O dedo toca o papel, como quem não quer nada.
 Tenta declamar, expressar, desabafar...
Desaba.
Nada.
Agonizante essa sua ausência.
Antes das tormentas passamos célebres instantes.
Você me perseguia,
Atiçava minha mente e arrebatava meu coração à morada dos anjos.
Uma palavrinha substantivada.
Alguns adjetivos, verbos, artigos...
Por gotas formamos imensos mares,
Cascatas de expressões vivas.
Era o sol, a flor, o amor, o choro, a metafísica,
Motivos não nos faltavam para entrelaço,
Enraizados.
Você dentro de mim irresistivelmente.
Primeiro, saltava a faísca superior, escorria ao coração o líquido quente de esplendor e lançava tão violentamente seu desejo pelos dedos.
...
Houve traição, sou réu confesso.
Perdoe-me. Decepção não mais haverá.
Mantive-lhe alguns anos em tortura, o capitalismo te destruiu.
Em malogro caminhei.
Estou curando as feridas. Leio, releio, preparo, reviso, ensaio, fito, foco.
Suplico verbo querido: mantenha-se voraz.
Chova sabedoria, faça arte na sociedade.
Revolucione os canais, jornais, editoriais. 
Tome conta do meu ser,
transborde em cascatas.
Possua a mão que tanto roga o teu renascer.
Já sinto tocar-me.
Far-te-ei jasmim, criança, bem-te-vi.
Amo-te, código da linguagem, para sempre.

Pesadelo. Aflições de Ninar! (Conto)

Inocência forçava seus olhos, ora meio abertos, ora meio fechados. No calar da noite, sob o reinado do luar sentia calafrios.
Acreditava estar diante de um grande perigo. Cria-se real ou seria imaginário?
Em seu pulsar havia uma grande inquietação. A janela de seu quarto estava fechada apenas com a parte feita de vidro, a porta estava entreaberta. Ao longe se podia a ver a grande lua cheia e seu querido amigo Totó, estranhamente, não estava deitado na cama.
Totó costumava dar umas lambidinhas na mão de Inocência, depois caminhava até seus pés e jogava seu corpo pequeno, peludo e quentinho aconchegando ambos.
A menina branca e magricela sentia-se insegura. Apesar de ter construído uma cabana forte feita por cobertores ao redor de seu corpo, não havia entrelaço materno para sossegar, nem tão pouco o super Totó estava lá.
Inocência cochilava por alguns minutos e logo abria os olhos, assustada. Seu corpo estava suado. A noite mantinha uma temperatura muito elevada, mas a menina não poderia se desvencilhar de seu cobertor.
E no momento que em tentava aquietar sua mente, viu uma grande sombra ficar cada vez mais próxima de seu quarto. O coração disparado sacudia seu corpo inteiro.
Repentinamente, Inocência ouviu um gemido bem baixinho, um sussurro dentro de sua cabeça “Não adianta me enganar, nem tentar se esconder. Pois quando eu gritar Buú! Você vai estremecer”. E novamente, ecoando sem parar “Quando gritar Buú!”, “Você vai estremecer”.
Num ímpeto a porta rangeu. Totó entrou. Inocência desmaiou.
Aquela noite foi silenciada. Janelas fechadas, corpos dormindo. Relógios marcavam as horas. Tic-tac... Tac-Tic.
Misturados aos sonhos de Inocência, frente ao apaziguar de seu sono, devaneios do sonhar.

Férias



Um semestre que se passa,
Um intervalo para cessação do trabalho.
Alívio, bem-estar.
Logo voltaremos
Mais um semestre:
Professor rodopia na sala
E novamente
A extensão na arte de ensinar a viver.
Em seguida a saudade e o contentamento.
Todos cumpriram seu caminho.
Juntos vencemos, juntos desenvolvemos.
E mais uma vez repousaremos
Na majestosa paz
Férias

Mister Diem. Carpe Diem.

Mister Diem me faz sorrir,
Mister Diem me faz chorar.
É alguém que me faz ser grande como a lua.
É um ser que reluz alegria como ninguém.

Mister Diem não tem igual.
Mistar Diem é mais do que um mestre.
Como um doutor,
Cura o coração e levanta a alma.

Mister Diem é sabedoria.
Mister Diem não tem limites,
Fala com palavras o que sente no coração,
E já ouviu dizer sobre a razão de viver.

Mister Diem me ensina a viver mais,
Mister Diem me ensinou a não morrer.
Não se preocupa em não ser, pois já o é.
Seguiu seus passos e se transformou.

Mister Diem sentiu a chuva,
Mister Diem floresceu como as gérberas.
Enfrentou o desconhecido
E soube voar com a felicidade

Mister Diem é sorriso,
Mister Diem é bondoso.
Sabe que o divino está presente
E carrega em si o dom de ser capaz.

Mister Diem contagia com a vida
Mister Diem caminha com amor.
Ele sabe cantar
E diz libertar-se em certa canção.

Mister Diem ouve o que lhe acrescenta a mente,
Mister Diem sabe respeitar a experiência.
Um dia Mister Diem quis ser neto
E ganhou um tesouro.

Mister Diem descobriu o mundo
Mister Diem me disse um verso:
“Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui”.

Mister Diem é o homem que ensina,
Mister Diem, sou lhe grata,
Agora posso compreender a marcha
E nascer a cada dia.

Era Uma Vez

Era uma vez uma menina.
Branquinha de olhos atentos.
Tudo observava,
De seus olhos nada passava.
Ouvia mais do que falava,
Sonhava mais do que respirava.

Um dia disseram para ela
Que o mundo que tanto falava
Na verdade nunca existira.
Que todos se contentavam
Com a vida que lhes eram impostas.

Porém, ela sonhava
Seus sonhos não eram em vão
Seus sonhos iam além.
Além de seus pensamentos
Além do que se podia obter

Para ela a vida era curta
Muito se queria
Pouco tempo se tinha

Pouco tempo para ser atriz,
Pouco tempo para ser aprendiz,
Pouco tempo para ser feliz.

Todavia, ela sabe que seu dia está chegando.
Angustia-se, mas não se apressa em saber o final
O final não lhe pertence
O final que antecede o recomeço.

Recomeço que tanto espera
De uma vida plena e sincera.

Tentando me Encontrar



Tentando me encontrar
Encontrei o seu olhar

Amor puro
Envolto de carinho, afeto e aconchego

Este mundo tão cruel e bom de viver
Deixou meu amor quase desfalecer

Peguei sua mão e acolhi seu coração
Que em pedaços se recompôs

Como água a escorrer
Purificando nossas almas

Carinho seguro, sem magoas ou soberba
Sentimento dedicado ao bem

Traz vitalidade e afasta o temor
Riqueza de vida, sucesso de esplendor.