Pesadelo. Aflições de Ninar! (Conto)

Inocência forçava seus olhos, ora meio abertos, ora meio fechados. No calar da noite, sob o reinado do luar sentia calafrios.
Acreditava estar diante de um grande perigo. Cria-se real ou seria imaginário?
Em seu pulsar havia uma grande inquietação. A janela de seu quarto estava fechada apenas com a parte feita de vidro, a porta estava entreaberta. Ao longe se podia a ver a grande lua cheia e seu querido amigo Totó, estranhamente, não estava deitado na cama.
Totó costumava dar umas lambidinhas na mão de Inocência, depois caminhava até seus pés e jogava seu corpo pequeno, peludo e quentinho aconchegando ambos.
A menina branca e magricela sentia-se insegura. Apesar de ter construído uma cabana forte feita por cobertores ao redor de seu corpo, não havia entrelaço materno para sossegar, nem tão pouco o super Totó estava lá.
Inocência cochilava por alguns minutos e logo abria os olhos, assustada. Seu corpo estava suado. A noite mantinha uma temperatura muito elevada, mas a menina não poderia se desvencilhar de seu cobertor.
E no momento que em tentava aquietar sua mente, viu uma grande sombra ficar cada vez mais próxima de seu quarto. O coração disparado sacudia seu corpo inteiro.
Repentinamente, Inocência ouviu um gemido bem baixinho, um sussurro dentro de sua cabeça “Não adianta me enganar, nem tentar se esconder. Pois quando eu gritar Buú! Você vai estremecer”. E novamente, ecoando sem parar “Quando gritar Buú!”, “Você vai estremecer”.
Num ímpeto a porta rangeu. Totó entrou. Inocência desmaiou.
Aquela noite foi silenciada. Janelas fechadas, corpos dormindo. Relógios marcavam as horas. Tic-tac... Tac-Tic.
Misturados aos sonhos de Inocência, frente ao apaziguar de seu sono, devaneios do sonhar.

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