Renascer da Palavra


Palavra chorosa.
Corre por aqui, corre por acolá.
Dou uma volta ao redor do assento,
O dedo toca o papel, como quem não quer nada.
 Tenta declamar, expressar, desabafar...
Desaba.
Nada.
Agonizante essa sua ausência.
Antes das tormentas passamos célebres instantes.
Você me perseguia,
Atiçava minha mente e arrebatava meu coração à morada dos anjos.
Uma palavrinha substantivada.
Alguns adjetivos, verbos, artigos...
Por gotas formamos imensos mares,
Cascatas de expressões vivas.
Era o sol, a flor, o amor, o choro, a metafísica,
Motivos não nos faltavam para entrelaço,
Enraizados.
Você dentro de mim irresistivelmente.
Primeiro, saltava a faísca superior, escorria ao coração o líquido quente de esplendor e lançava tão violentamente seu desejo pelos dedos.
...
Houve traição, sou réu confesso.
Perdoe-me. Decepção não mais haverá.
Mantive-lhe alguns anos em tortura, o capitalismo te destruiu.
Em malogro caminhei.
Estou curando as feridas. Leio, releio, preparo, reviso, ensaio, fito, foco.
Suplico verbo querido: mantenha-se voraz.
Chova sabedoria, faça arte na sociedade.
Revolucione os canais, jornais, editoriais. 
Tome conta do meu ser,
transborde em cascatas.
Possua a mão que tanto roga o teu renascer.
Já sinto tocar-me.
Far-te-ei jasmim, criança, bem-te-vi.
Amo-te, código da linguagem, para sempre.

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